Boa parte dos estudantes sabe que a redação
pode ser o fator que classificará ou o
reprovará nos grandes vestibulares
brasileiros. Passar noites em claro a
estudar matérias com as quais não se têm
afinidade pode ser em vão se o aluno não
souber como estruturar o texto e não tiver
boa argumentação. Mas como treinar para algo
para o qual não há uma fórmula que
diferencie o certo do errado? Como evitar
erros que podem zerar a prova e colocá-lo
fora da disputa pela sonhada vaga? Para
ajudar o vestibulando, o Universia conversou
com especialistas que dão dicas de como
obter uma boa nota em redação. Conheça
também nosso guia para uma redação nota 10.
Mesmo quem já tem bom texto precisa de
prática. Professores são unânimes nesse
ponto. A prática é a única maneira para os
alunos corrigirem seus pontos fracos e
melhorar partes que já estão boas. "Quando
os alunos recebem suas redações corrigidas
pelos professores, devem revisá-la e fazer
uma leitura crítica, sem ter pena de si.
Dessa forma é possível reconhecer os
próprios erros", explica a coordenadora de
Língua Portuguesa do cursinho Etapa, Célia
Passoni.
A coordenadora aposta também no método de
reescrever o texto. "Depois de ler a redação
com olhar crítico, o estudante pode
reescrevê-la para corrigir todos os pontos
que achou fracos. Ele pode pedir para que
outra pessoa a leia e a corrija. Dessa
forma, é possível pegar os erros que
permaneceram, como exageros ou repetições",
avalia Célia. De acordo com ela, o momento
em que o aluno lê com olhar crítico é o que
chega mais perto do método usado pelas
bancas avaliadoras.
Mas não são apenas os erros gramaticais que
podem descontar pontos na hora de redigir um
texto para o vestibular. A direção em que o
texto vai pode chegar a zerar a prova e
reprovar o candidato. "O aluno deve estar
atento ao que é pedido no enunciado da
redação. Se o tema proposto é um e a
dissertação foge do assunto, é certo que
será reprovado. Os estudantes ficam muito
preocupados em decorar regras gramaticais
porque acreditam que um bom texto é aquele
correto gramaticalmente. Eles esquecem de
dar atenção à proposta", revela o
coordenador de gramática, texto e redação do
cursinho Anglo, Francisco Platão Savioli.
As bancas examinadoras dos vestibulares são
bem rígidas com a correção das redações.
Fazem isso para avaliar o grau de
conhecimento dos candidatos. "Esse é o
momento em que a banca avalia se os
estudantes estão atentos aos fatos que
acontecem ao seu redor ou se eles se alienam
em um 'mundo próprio'. As universidades
querem que indivíduos bem informados e com
bons conhecimentos ocupem as vagas que
oferecem. Essa rigidez também serve para
evitar que alunos consigam usar textos
decorados", afirma Savioli.
Para ter bom conteúdo e conhecimentos do
desdobramento dos fatos ao redor do mundo, a
leitura é essencial. "Não adianta que o
aluno leia várias revistas e jornais para se
manter informado. É necessário que ele
aproveite a leitura. Sempre proponho um
exercício para meus alunos: que eles peguem
um texto dissertativo de um jornal ou
revista e responda a algumas perguntas. Peço
que digam qual a questão posta em debate no
texto? Qual a posição do redator? Que
argumentos ele usa para defender sua
proposta? Quais argumentos o redator rebate?
Esse exercício melhora a qualidade dos
textos dos estudantes e os faz aprender a
como construir uma boa retórica. E eles só
precisam se dedicar cerca de 20 minutos por
dia", diz Savioli.
Bruna procura reescrever todas as redações
para melhorar o desempenho nos pontos
apontados como fracos pelos professores.
Essa exigência que os professores cobram dos
alunos com relação às próprias redações é
seguido à risca pela estudante Bruna Daniele
da Silva Dias, que pretende prestar
Vestibular para o curso de Engenharia
Química. Além de escrever os textos
propostos durante o cursinho, ela treina por
conta própria. "Entrego as redações pedidas
pelos professores e faço outras também, que
levo para os plantonistas corrigirem. Tento
fazer pelo menos um texto por semana",
comenta a estudante que tenta redigir mais
de um texto na semana para compensar quando
não consegue escrever.
A estudante sabe que a prática é necessária
para conseguir se sair bem mesmo sob
pressão. "Não adianta esperar a idéia surgir
sozinha, é preciso ter prática para poder
avaliar as idéias válidas e as que não
acrescentam nada ao texto", declara Bruna.
Ela acrescenta que fora os estudos, procura
ler jornais e revistas para manter-se
atualizada. "Além disso, ter contato com o
formato de texto dos jornais me ajuda a
desenvolver a argumentação", acredita ela.
Bruna explica que não escreve sua redação no
mesmo momento que lê o tema proposto.
"Primeiro organizo minhas idéias, coloco a
tese e faço as argumentações. A partir desse
esquema, monto a conclusão e depois escrevo
o texto final", afirma. Ela diz ainda que
aquelas redações que entrega aos
plantonistas rendem boas dicas. "Às vezes,
os monitores sugerem que eu as reescreva.
Quando meus erros são indicados, tento
reformular os pontos fracos e isso me faz
aprender. Se tive erros ou usei idéias fora
do foco, refaço e sinto melhora em meu
desempenho".
Para praticar argumentação, a estudante
aposta na reescrita de textos com a tese
contrária. "Quando vou refazer um texto,
muitas vezes escolho redigir baseada em
argumentos contrários. Essa prática ajuda a
melhorar minha retórica e serve para avaliar
se consigo ter bons argumentos para defender
o lado oposto", comenta Bruna.
Savioli ressalta que os alunos que se
comprometem com os estudos e com a
aprendizagem na redação podem mudar muito no
decorrer do ano. "Muitos estudantes iniciam
o cursinho com redação ruim. Mas os que se
empenham, buscam soluções para as questões
que não entendem e se propõe a reescrever os
textos, melhoram muito a performance e podem
alcançar pontos mais altos que conseguiriam
no começo do ano", alerta o coordenador.
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