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OS ESPECIALISTAS  

     Com a nova Constituição mais democrática de 1988 e a imposição definitiva da necessidade de concurso público para ingresso nas carreiras públicas, em poucos anos verificou-se uma verdadeira corrida para o preenchimento de vagas nas carreiras da Administração. De início, ainda faltava aquela cultura de se buscar um emprego através de uma prova mas, já na década de 90, as pessoas começaram a saber de casos de um conhecido ou parente que conseguiu uma vaga no governo mesmo sem ter um "pistolão", Em pouco tempo a coisa se espalhou surgindo com isso uma verdadeira indústria do conhecimento, uma explosão de cursinhos e publicações didáticas que visavam preparar os candidatos para as provas dos concursos.
Passadas duas décadas, hoje em dia o nível de dificuldade cobrado nos programas das provas está muito alto qualquer que seja o concurso. As instituições sabem que, bastará que lancem seu edital e uma multidão de centenas de milhares de candidatos estarão se matriculando nos cursinhos preparatórios ou baixando material completo pela Internet. Isso sem falar no número considerável de pessoas que se preparam antes mesmo que um órgão dê sinais de abertura de seu concurso. essas pessoas podem estudar com muita paciência e antecedência para um concurso que só será lançado muitos anos no futuro.

Com a fartura de candidatos, as vezes dezenas deles para cada uma das vagas oferecidas, as instituições se dão ao luxo de pedir às organizadoras dos concursos que elaborem provas cada vez mais difíceis que tenham a capacidade de filtrar apenas pessoas altamente capazes, que dominem praticamente 100 por cento de um vasto programa. E assim tem sido. A cada ano mais refinamento é aplicado as provas, os programas são bem mais extensos e profundos, as médias pra aprovação cada vez mais beiram o "10". Gabaritar a prova já não é uma proeza e sim, apenas um bom indicativo de que "talvez" se consiga a vaga.
O concurso público hoje não tem mais espaço para o aventureiro ou para o mais ou menos preparado. o concurso público hoje é campo de batalha para mentes que brilham, de profissionais especialistas.
Por: Lucélia Dantas
 


Vamos fazer alguns testes?

Língua Portuguesa - Resolva a bateria de exercícios propostos - Interpretação


Maioridade penal

     Foi brutal o assassinato do casal de namorados Liana Friedenbach e Felipe Caffé, em São Paulo. Nada justifica um crime dessa natureza. O país está chocado. A participação de um menor no delito torna o caso ainda mais dramático. A pergunta está nas ruas: não seria o caso de reduzir a maioridade penal?
     De acordo com pesquisa realizada, antes do crime, a pedido da Ordem dos Advogados do Brasil, 89% dos brasileiros são favoráveis à redução da idade-limite para 16 anos. É natural
que o cidadão, acuado pela obscena violência que o cerca, concorde com tudo o que soe como solução drástica para o problema. O Estado, contudo, deve agir racionalmente. A redução da maioridade, em primeiro lugar, fere o princípio,
consagrado no Direito brasileiro, de que o jovem é um ser em formação. O adolescente pode e deve ser punido pelo que faz
de errado, mas a sanção precisa ter caráter predominantemente educativo. É absolutamente falso afirmar que a legislação não
pune menores. A maior pena a que eles podem ser condenados é de três anos. É verdade que o caráter pedagógico da punição
raramente se verifica. Não são tão diferentes as condições desumanas de nossos presídios e das unidades da Febem.
     Que isso seja assim não justifica o abandono do princípio. Mesmo porque não será reduzindo a maioridade penal
que o envolvimento de jovens em crimes deixará de existir. Parte da criminalidade juvenil pode ser explicada pelo fato de organizações criminosas se utilizarem de menores (e sua suposta impunidade) para “puxar o gatilho” no lugar de adultos. Nada impedirá que os bandidos passem a recrutar um contingente mais jovem, de quase crianças – o que, aliás, já ocorre em algumas situações. O que fazer então? Reduzir ainda mais a maioridade penal? Para 15, 14, 10 anos de idade?
     Combater a criminalidade, seja ela juvenil ou não, exigirá,além da necessária repressão policial, uma profunda reformulação
das instituições e políticas públicas de segurança. É igualmente indispensável promover a inclusão social com mais educação
e alternativas de trabalho. Não será encarcerando adolescentes e crianças, mas oferecendo-lhes condições para escapar
da criminalidade, que esse triste panorama poderá mudar.

(Folha de S. Paulo, editorial, 13/11/2003)


1. O redator desse editorial julga que a maioridade penal:

(A) deve ser reduzida apenas para o caso específico de
participação do jovem em delito brutal e injustificável,
tal como o referido no primeiro parágrafo.

(B) não deve ser de modo algum reduzida, uma vez que
os menores encarcerados deixam de receber orientação
pedagógica, equiparando-se aos presos comuns.

(C) deve ser mantida nos termos da legislação em vigor,
atentando-se para o caráter educativo das sanções,
negligenciado na maioria dos casos.

(D) deve ser mantida nos termos da legislação em vigor,
resguardando-se as ações pedagógicas que vêm caracterizando
a aplicação das sanções.

(E) não deve ser de modo algum reduzida, pois haveria
dificuldades na tramitação de uma lei

2. Considerando-se as controvérsias acerca da redução da
maioridade penal, manifesta-se no texto, explícita ou
implicitamente, uma relação antitética entre:

I. a opinião do editorialista e a opinião da maioria dos
brasileiros.
II. a posição da Ordem dos Advogados do Brasil e a
posição do Estado.
III. o modo de avaliação do cidadão comum e o modo
que cabe ao Estado.
Completa corretamente o enunciado APENAS o que está em:

(A) I.
(B) II.
(C) III.
(D) I e II.
(E) I e III.

3. A precisa convicção de que não será reduzindo a
maioridade penal que o envolvimento de jovens em crimes
deixará de existir é defendida com o seguinte argumento:

(A) o recrutamento de menores para a prática de crimes
só será incrementado, a curto prazo, se ocorrerem
medidas que visem à inclusão social.
(B) o recrutamento de menores, promovido pelos bandidos,
passaria a ocorrer em faixas de idade ainda
mais reduzida.
(C) as soluções drásticas, ditadas pelo clima de emoção,
contrariam o princípio da racionalidade, que é
básico no Direito.
(D) todas as crianças infratoras passariam a ser encarceradas
na Febem, recebendo os mesmos tratamentos
que sofrem os criminosos nos presídios.
(E) todas as crianças infratoras perderiam de vez o direito
à assistência pedagógica, deixando de ser reconhecidas
como seres em formação.

4. O segmento do texto em que o termo sublinhado está
empregado de acordo com uma acepção indicada em
dicionários é:

(A) acuado pela obscena violência = que choca pela vulgaridade,
pela crueldade.
(B) torna o caso ainda mais dramático = repleto de peripécias,
de aventuras.
(C) ferir o princípio = tocar, tanger.
(D) recrutar um contingente mais jovem = fortuito, aleatório.
(E) o caráter pedagógico da punição = feitio moral.

Gabarito:

1 - c 2- e 3-b 4-a


OS MODOS DE SER

     Já disse, numa expressão feliz, que a contribuição brasileira para a civilização será de cordialidade — daremos ao mundo o "homem cordial". A lhaneza no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam, com efeito, um traço definido do caráter brasileiro, na medida, ao menos, em que permanece ativa e fecunda a influência ancestral dos padrões de convívio humano, informados no meio rural e patriarcal. Seria engano supor que essas virtudes possam significar "boas maneiras", civilidade. São antes de tudo expressões legítimas de um fundo emotivo extremamente rico e transbordante. Na civilidade há qualquer coisa de coercitivo — ela pode exprimir-se em mandamentos e em sentenças. Entre os japoneses, onde, como se sabe, a polidez envolve os aspectos mais ordinários do convívio social, chega a ponto de confundir-se, por vezes, com a reverência religiosa Já houve quem notasse este fato significativo, de que as formas exteriores de veneração à divindade, no cerimonial xintoísta, não diferem essencialmente das maneiras sociais de demonstrar respeito. Nenhum povo está mais distante dessa noção ritualista da vida do que o brasileiro. Nossa forma ordinária de convívio social é, no fundo, justamente o contrário da polidez. Ela pode iludir na aparência — e isso se explica pelo fato de a atitude polida consistir precisamente em uma espécie de mímica deliberada de manifestações que são espontâneas no "homem cordial": é a forma natural e viva que se converteu em fórmula. Além disso, a polidez é, de algum modo, organização de defesa ante a sociedade. Detém-se na parte exterior, epidermica do indivíduo, podendo mesmo servir, quando necessário, de peça de resistência. Equivale a um disfarce que permitirá a cada qual preservar intatas sua sensibilidade e suas emoções.

1. A passagem em que se explicita o diálogo entre as idéias do autor e as do leitor é:

(A) "Equivale a um disfarce..."
(B) "... são, antes de tudo, expressões legítimas ..."
(C) "Nossa forma ordinária de convívio social..."
(D) "Na civilidade há qualquer coisa de coercitivo."
(E) "Seria engano supor ..."

2. A expressão "espécie de mímica deliberada" retoma a idéia de:

(A) "... noção ritualista da vida..."
(B) "... traço definido do caráter brasileiro..."
(C) "... influência ancestral dos padrões do convívio humano..."
(D) "... virtudes tão gabadas por estrangeiros que ..."
(E) "... fundo emotivo rico e transbordante."

3. "... pelo fato de a atitude polida consistir ..." Nesta passagem não se dá a contração da preposição “de” com o artigo “a” porque:
(A) o autor fez uma opção estilística
(B) a preposição "de" integra a expressão "pelo fato de"
(C) se trata de um período composto
(D) "a atitude polida" é sujeito da oração do verbo consistir
(E) o substantivo "atitude" vem seguido do adjetivo "polida"

4. "... virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam ..." O período que apresenta uma oração de classificação semelhante à anterior, é:

(A) Estava tão cansado, que logo foi deitar-se.
(B) O colégio onde foram realizadas as palestras é tão antigo!
(C) Eram funcionários tão necessários quanto os outros.
(D) Quanto mais o conheço, mais o estimo.
(E) Foram pessoas tão admiradas enquanto estiveram aqui!

5. Assinale a alternativa que contém erro de concordância.

(A) São cinco questões que falta resolver.
(B) Os verões terríveis que fazia ali desesperavam a todos.
(C) Existiam televisores e rádios para todos os habitantes.
(D) Fui eu quem denunciou as irregularidades.
(E ) As questões que haviam no livro eram difíceis.



                                                                                         
Confira o gabarito:

1-E
2-A
3-D
4-B
5-E

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